Opala
A
história completa

Os
24 anos de um Chevrolet inesquecível
www.opala.com/bahia
Um Chevrolet inesquecível
Amplo, confortável
e cheio de torque, o Opala vendeu
mais de um milhão e deixou saudades como poucos
Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação - Colaborações
Instalada no Brasil em
janeiro
de 1925, a Companhia
Geral de Motores do Brasil S.A. -- depois General Motors do Brasil -- restringiu-se a montar e depois fabricar picapes,
utilitários e caminhões até meados da década de 60. Finalmente, a
essa época era definida junto ao GEIA, o Grupo Executivo da Indústria
Automobilística instaurado pelo governo de Juscelino Kubitschek, a produção do
primeiro automóvel Chevrolet nacional.
As opções oscilavam entre os grandes carros da matriz americana, como o Impala
tão bem-sucedido em nossas terras, e os modelos mais leves e econômicos da
subsidiária alemã Opel, alguns dos quais -- Kadett, Olympia e Rekord -- chegaram
a ser importados em pequena quantidade. Pois foi entre o médio-pequeno Kadett e
o
grande Rekord que a GMB mais hesitou, acabando por escolher o segundo.
Embora
diferente nos faróis e pára-choques, o Rekord C de 1967 evidencia
a origem do
Opala; este modelo é o sedã de duas portas, com o mesmo perfil de teto de nosso
quatro-portas.
Em
23 de novembro de 1966, em uma coletiva à imprensa no Clube Atlético
Paulistano, na capital paulista, a GM anunciava o início do projeto 676,
a semente do futuro Opala.
Sucesso na Europa O
primeiro Rekord surgia da fábrica da Opel em Rüsselsheim, Alemanha,
em 1953, como uma versão do Olympia, modelo médio de 4,24 metros de comprimento
e motor 1,5-litro. O nome passava a ser usado isoladamente em 1955,
mantendo o porte e a cilindrada, mas após dois anos surgia a geração
P1, maior ( 4,43
metros ) e com opção entre 1,5 e 1,7
litro . Em 1960 vinha o Rekord P2, ainda mais
amplo ( 4,51 metros ); três
anos depois, o Rekord A, de mesmo comprimento, com opção de motor seis-cilindros
de 2,6 litros ; e em 1965
o modelo B, que adicionava o quatro-cilindros de 1,9 litro .

No
Rekord cupê,o perfil alongado que só veríamos em 1971; os motores
do modelo
alemão tinham cilindrada de 1,5
a 2,2
litros , este de seis cilindros.
Somente em agosto de 1966
era introduzido o Rekord C, com a carroceria que os brasileiros conhecem
tão bem,
embora diferente nos faróis, lanternas e pára-choques. Oferecia versões sedã e
perua de duas e quatro portas (o sedã de duas portas tinha o mesmo perfil de
teto do quatro-portas), além do cupê, e ampla variedade de motores, todos menores
que os daqui: 1,5-litro de 58 cv, 1,7 de 60 cv e de 75 cv, 1,9 de 90 cv e, a
partir de 1967, o 2,2 de 95 cv, apenas este com seis cilindros em linha.
Curioso é que todos tinham
o
mesmo curso de pistão ( 69,8
mm ), igual ao do 3,0-litros que surgiria aqui em 1992
no Omega --
está explicada sua origem? Também em 1967 vinha o cupê Sprint, com dois carburadores
duplos no motor 1,9 e 106 cv. Essa geração ficou no mercado até dezembro de 1971,
com produção total de 1.274.362 unidades. O modelo seguinte, Rekord D, foi
até 1977 e o último, E, até 1986, quando a Opel optou
por trocar a denominação por Omega.

A
perua Rekord Caravan de cinco portas: opção estudada pela GM brasileira,
mas
que acabou não sendo produzida aqui.
"Meu
carro vem aí" O
lançamento do primeiro Chevrolet brasileiro foi precedido de grande
expectativa. A campanha publicitária prévia mostrava personalidades,
como a
atriz Tônia Carrero, o cantor Jair Rodrigues e o jogador de futebol Rivelino,
recusando carona e alegando: "Meu carro vem aí".
Nas pistas
O
Opala foi bem-sucedido também em competições. Sua primeira
vitória veio logo: no início de 1969 o famoso Chico Landi, com um carro
da equipe de Eugênio Martins (ao lado), vencia a prova Governador Paulo
Pimentel, restrita a carros nacionais e realizada em comemoração ao
aniversário
de Curitiba, PR.
Na década de 1970 o Opala foi muito usado em competições, no começo altamente
preparado para a categoria Turismo Especial Brasileiro (Divisão 3), depois
em regulamentos mais conservadores como os da Turismo de Série,
tanto segundo regulamento nacional (Divisão 1), quanto internacional (Grupo
1), ditado pela então Federação Internacional do Esporte Automóvel (FISA),
o braço esportivo da Federação Internacional do Automóvel.
As disputas mais renhidas envolvendo o Opala foram no Campeonato Brasileiro
de
Turismo de Série, em provas de média e longa duração, como a 25 Horas de Interlagos,
realizadas em 1973, 1974 e 1975. A GM, por questão de política interna,
não tinha equipe oficial representado-a
-- ao contrário da Ford, que utilizava os serviços de Luiz Antônio Greco, um
dos chefes de equipe que mais vitórias teve no mundo. Havia equipes de vários
estados que corriam de Opala, como a Chepala, do Rio Grande do Sul, e a
Motorauto,
de Minas.
A
primeira tinha como principal piloto o jornalista Pedro Pereira Carneiro,
falecido tragicamente em 1973 num acidente de pista em Tarumã com um
Divisão 3. Pela Motorauto passaram pilotos como Toninho da Matta, pai
de Cristiano da
Matta, que hoje está na Fórmula 1 (Toyota), e o jornalista Bóris Feldman, atualmente
editor do caderno de veículos do jornal Estado de Minas. Os Opalas venceram muitas
corridas nesse período.
A fase mais famosa do Opala nas pistas, porém, tinha início em 22 de abril
de
1979, com a primeira prova do Campeonato Brasileiro de Stock Car, no autódromo
de Tarumã, próximo a Porto Alegre, RS. Inspirada na lendária Nascar americana,
a categoria utilizava apenas Opalas de seis cilindros (foto central), preparados
com componentes nacionais. Entre os pilotos dessa fase da Stock estão nomes conhecidos,
como José Carlos Palhares (o "Capeta", que fez a primeira pole position),
Ingo Hoffmann, Raul Boesel, Affonso Giaffone Júnior e
Paulo Gomes, o Paulão.
Em 1987
a aparência dos Opalas era totalmente modificada,
com a adoção de componentes
de carroceria em plástico com fibra-de-vidro (ao lado), que melhoravam a
aerodinâmica e a estabilidade. Em seu último ano nas pistas, 1992, o motor de 4,1
litros a álcool desenvolvia potência de 270 cv a 5.800
rpm e torque máximo de 43 m .kgf
a 5.500 rpm, com uma preparação que incluía carburador de corpo duplo Weber 44,
taxa de compressão mais alta (12:1) e comando de válvulas bem mais "bravo".
O câmbio era o Clark 2505 de cinco marchas, e os freios, uma curiosa combinação
de discos ventilados do caminhão Ford F-4000 na frente e do picape D-20 (dianteiros)
na traseira. O Stock usava rodas de 10,5 x 16 pol , pneus Pirelli P7
Corsa e pesava 1.180 kg ,
graças à substituição dos componentes "de rua" por outros mais leves:
portas e capô em fibra, acrílico em vez de vidros nas janelas, ausência de
revestimentos. Acelerava de 0
a 100
km/h em 6,4 segundos.
Depois de 13 anos de uma carreira bem-sucedida, o veterano cupê cedia o lugar
nas pistas para o recém-chegado Omega, em 1993. Mas o venerado 4,1-litros a álcool,
ainda com carburador, permaneceria por anos equipando o moderno sedã nas
competições
Na abertura do VI Salão do Automóvel, em 23 de novembro de 1968, o Opala enfim
aparecia, sobre um palco giratório, em um estande de 1.500
m2 . Em torno da novidade, espetáculos artísticos encenados
a cada meia hora, o
piloto inglês Stirling Moss e as misses Bahia, Brasília, Espírito Santo,
Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul, Rondônia e Roraima
recepcionando os visitantes.
Uma
arte com as linhas do primeiro Opala, lançado em meio a grande
expectativa
O nome Opala vem de uma
pedra
preciosa, incolor ao ser extraída do solo, mas que adquire múltiplos tons ao
ser exposta à luz. Era também, ao que se comenta, a fusão entre Opel e Impala,
o carro da Chevrolet americana que lhe cedia o motor de seis cilindros. A própria
GM admite que não havia ainda se definido quando esse nome -- um dos seis finalistas
entre milhares de sugestões -- foi revelado por um jornalista. Sua rápida
popularização levou à aprovação da escolha.
O primeiro modelo era o sedã de quatro portas, em acabamentos Especial (básico
ou standard, como se dizia à época) e de Luxo. Suas linhas atraentes
recorriam à solução da linha de cintura ondulada nos pára-lamas traseiros, o
chamado estilo "garrafa de Coca-Cola" no perfil lateral, em voga na época
por sua adoção no Corvette 1968. Os faróis circulares (não ovalados, como os
do Rekord) vinham incrustados em uma grade de muitos frisos horizontais cromados,
e as luzes de direção, abaixo do pára-choque.
Os
modelos iniciais eram os quatro-portas Especial e Luxo, com motores
de 2,5 e 3,8 litros de origem
americana e câmbio de três marchas
Na traseira, uma faixa
frisada com o nome Chevrolet ligava, no Luxo, as pequenas lanternas retangulares
nos
extremos dos pára-lamas, com as luzes de ré também sob o pára-choque. Logo acima
deste ficava a tampa do tanque de combustível. O nome Opala vinha nas laterais
traseiras, e a identificação do motor -- 2500 ou 3800 --, nos pára-lamas dianteiros.
As calotas cromadas combinavam com os pneus de faixa branca (ou banda branca,
como também são chamados em certas regiões).
Ambas as versões ofereciam
seis
lugares em dois bancos inteiriços, não havendo opção de bancos individuais; por
isso, a alavanca de câmbio ficava na coluna de direção. No painel simples, apenas
os instrumentos essenciais, e o volante possuía uma barra para o comando da buzina.
Entre as diferenças das versões estavam luzes de ré,
tampa do tanque de combustível com chave e frisos, exclusivos do Luxo.
A
campanha publicitária convidava a dirigir o primeiro automóvel
Chevrolet
brasileiro
A
robustez dos motores Sob o capô, que abria
para trás, o Opala oferecia dois motores: um de quatro cilindros,
2.509 cm3 (153 pol3) e potência
bruta de 80 cv a 3.800 rpm; outro de seis cilindros em linha,
3.764 cm3 (230
pol3) e 125 cv brutos. Ambos de concepção tradicional, com bloco e cabeçote em
ferro fundido, comando de válvulas no bloco, acionamento de válvulas por varetas
e balancins de fulcrum (articulação) esférico -- criação da GM -- e um carburador
de corpo simples.
Interessante é que ambos tinham as mesmas
medidas de diâmetro dos
cilindros e curso dos pistões: 98,4 x 82,5 mm . Era o princípio
da modularidade até hoje aplicado pela GM americana, por exemplo no motor de
seis cilindros e 4,2 litros do Trailblazer,
que tem versões de cinco e quatro cilindros, com 3,5 e 2,8 litros , nesta ordem.
Eram comuns, como hoje, pistões, anéis, bielas, válvulas e
molas de válvulas, facilitando a logística de produção e baixando custos.

"O
carro certo": assim a GM sintetizava sua combinação de carroceria
de Opel
e mecânica de Impala, tida como origem do nome, que é também o de uma pedra
preciosa
Os propulsores do Opala
eram
utilizados há anos pela matriz nos EUA: o 2,5-litros havia surgido no Chevrolet
Nova, em 1961, sendo o primeiro quatro-cilindros da marca desde 1928, e o 3,8,
no Impala de 1963. Por sua robustez, seriam a base para motores de automóveis
da corporação até a década de 80. O seis-cilindros serviria mais tarde como motor
estacionário, de ônibus escolares e até de empilhadeiras.
No caso do motor maior, o virabrequim com sete mancais de apoio (cinco no de
quatro cilindros) e o bom dimensionamento das peças móveis contribuíam para
sua durabilidade e excepcional suavidade. Os tuchos de válvula hidráulicos
dispensavam o ajuste da folga destas, facilitando a manutenção.

O ótimo
desempenho do motor de 3,8
litros era destacado na publicidade de 1970.
Sua maior limitação através
dos anos seria a má distribuição de mistura ar-combustível para os cilindros.
Os das extremidades recebiam mistura mais pobre, com maior percentual
de ar, enquanto os centrais tendiam a admitir mistura mais rica, problema
facilmente resolvido com uma preparação que inclua dois ou três carburadores
duplos, como nos Stock Cars (leia
boxe). No Omega, em 1994,
a injeção multiponto acabaria de vez com o problema.
O desempenho
do Opala 3,8-litros agradou: com velocidade máxima da ordem
de 165 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de 13
segundos, era o carro nacional mais rápido de seu tempo, embora fosse perder
o posto após um ano para o Dodge
Dart. O 2,5 não apresentava tanta energia, mas tinha o torque necessário
para um uso normal. Só que sempre foi um motor muito áspero -- tanto que na época
funcionários da GM o chamavam de “Toyotinha”, em alusão ao motor diesel do utilitário
nipo-brasileiro.

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A
partir do molde de um Opel Rekord da Solido francesa,
a Brosol -- fabricante de carburadores e bombas de combustível
-- produziu no Brasil uma miniatura do Opala 1969 de
quatro portas (à esquerda), em metal, por encomenda da
GMB para ser distribuída aos fornecedores de peças. Era
o Opala de Luxo 1971, muito fiel e caprichado, na escala
1/38. Hoje é uma peça de coleção muito cobiçada pelos
fãs.
Para quem quer adquirir hoje seu míni-Opala, seu equivalente
europeu, o Opel Rekord C, consta do catálogo da alemã Minichamps
em duas versões: cupê (à direita) e perua Caravan de três portas,
ambos na escala 1/43 e muito ricos em detalhes, dos frisos cromados à antena
de rádio.
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A
combinação de carroceria da Opel alemã com mecânica
da Chevrolet americana não foi exclusiva do Opala brasileiro.
Em 1968 a Opel vendia no
México o Olimpico, um Rekord de quatro portas (sem
alterações de estilo, como nos faróis ovalados) com
o motor de quatro cilindros e 2,5 litros , inexistente
na Europa. O nome celebrava as Olimpíadas do México
naquele ano.
Na África de Sul, a Chevrolet lançava no mesmo ano o Ranger.
Unia as linhas do Rekord, grade dianteira da Vauxhall inglesa
e o motor de 2,5 litros do Chevy
II, o mesmo do carro nacional. Em 1972 a Chevrolet sul-africana passava a
vender os modelos Chevy 2500, 3800 e 4100, com os três motores
de quatro e seis cilindros do Opala.
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As duas versões tinham
câmbio
manual de três marchas, tração traseira, suspensão dianteira independente com
braços sobrepostos e posterior de eixo rígido, ambas com molas helicoidais. Na
frente os elementos da suspensão estavam ancorados a uma travessa, fixada ao
monobloco por parafusos, o que só mais tarde se tornaria
conhecido como subchassi.
Os pneus (5,90-14 ou 6,50-14, de construção diagonal) eram os primeiros sem câmara
em um carro nacional e a embreagem era do tipo "chapéu chinês", ou
mola diafragmática, que começava a se popularizar no mundo.
As
linhas eram tradicionais, com detalhes cromados em profusão, mas
o Opala trazia
novidades técnicas como freios auto-ajustáveis e pneus sem câmara
Outra novidade técnica
estava
nos freios auto-ajustáveis, cuja regulagem de folga era feita automaticamente
quando o motorista freava após dar uma pequena marcha à ré. Mas havia críticas
quanto à capacidade de frenagem em uso intensivo, pois até os freios dianteiros
eram a tambor -- já há algum tempo usavam-se discos em carros nacionais menores,
como DKW-Vemag
Fissore e Renault
Gordini.
A origem mista do Opala levaria a um fato inusitado: parafusos e porcas do
motor
e da transmissão eram em polegadas, dada a origem americana, enquanto todo o
resto era métrico, de carro europeu. Isso obrigava as concessionárias a terem
ferramentas com os dois sistemas de medidas. A questão levaria alguns anos para
ser corrigida, tendo sido adotado logicamente o padrão métrico ao qual o Brasil
obedece.
Super
sport? Não, SS significava separated seats, bancos individuais,
uma das
novidades deste Opala mais potente e estável.
A chegada do Opala representou um grande
passo para a GM: entre 1966 e 1968 foram criados mais de 3.000 empregos,
um aumento de 47% na força de trabalho, e mais de 2.000 empresas nacionais
tornaram-se suas fornecedoras. As fábricas
de São Caetano do Sul e São José dos Campos, SP, ganharam mais 28.718
m2 de áreas funcionais.
O
esportivo SS Em junho de 1970 era lançada
a versão esportiva SS, sigla para separated seats (bancos separados,
individuais) e não
super sport, como muitos supõem. A aparência incluía faixas pretas no capô, laterais
e traseira, além de rodas esportivas de 5 pol de tala, sem calotas,
mas com porcas cromadas. Por dentro, além dos bancos,
trazia volante de três raios com aro de madeira e conta-giros no painel, no lugar
do relógio, que descia para o console exclusivo. Rádio e ar-condicionado eram
opcionais.

O
SS
marcou a introdução do motor de 4,1 litros , que em pouco tempo aposentaria
o 3,8, e do câmbio de quatro marchas, com relações
mais próximas entre si.
O motor de seis cilindros
passava, no SS, de 3,8 para 4,1
litros (4.097 cm3, 250 pol3), resultado do aumento
do curso dos pistões de 82,5 para 89,7
mm . Mesmo propulsor utilizado pela matriz americana
no Nova e no Impala desde 1968, desenvolvia 140 cv brutos a 4.000 rpm
(115 cv líquidos) e torque máximo
bruto de 29 m .kgf
a 2.400 rpm. O câmbio tinha a alavanca no assoalho e quatro marchas, mas a quarta
continuava direta (1:1), como a terceira do três-marchas -- isto é, a segunda
de relação 1,68 foi dividida em duas marchas, 2,02 e 1,39.
Os mais atentos que dirigiram
o
carro com motor de 4,1
litros nessa época puderam notar como quatro marchas eram
exagero, dadas as características
de elevado torque (e conseqüentemente muita potência mesmo em baixa rotação)
do “seis-canecos”, como é chamado até hoje por seus admiradores. Três marchas
eram mais que suficientes -- mas marketing é marketing, não adianta.
O esportivo vinha ainda
com
estabilizador traseiro (opcional em outras versões), diferencial autobloqueante (chamado
de Tração Positiva pela GM), freios dianteiros a disco e pneus 7,35 S 14, aptos
a maior velocidade ( 180
km/h ). Na mesma linha 1971 apareciam pequenas novidades
nos demais Opalas, como a grade dianteira e o diferencial mais longo para o motor
de quatro cilindros,
modo de mascarar o funcionamento áspero. Surgia ainda a versão Gran Luxo, também
de quatro portas, e o modelo básico ganhava o nome Especial.

Outras
novidades da linha 1971: grade dianteira redesenhada e o acabamento
Gran Luxo,
que passava a ser o topo.
O Opala cupê, com seu característico
formato fastback,
portas sem moldura nas janelas e ausência de coluna central, era lançado
em
setembro de 1971, época em que o motor 4,1 substituía o 3,8 em definitivo. Também na
linha 1972 vinham itens de proteção ao patrimônio: trava de direção e tampa do
bocal do tanque de combustível com chave.
Para 1973 a linha
recebia nova grade, com um só friso cromado à meia-altura e o emblema da gravata-borboleta
no centro em algumas versões, luzes de direção dianteiras nos extremos dos
pára-lamas e luzes de ré ao lado das lanternas traseiras (exceto no SS), em
vez de abaixo dos pára-choques. Bancos individuais
(reclináveis ou não) e ar-condicionado chegavam como opcionais. As versões de
seis cilindros recebiam -- finalmente -- freios dianteiros a disco com servo-freio,
de série, e havia mudanças no painel e no volante.
Somente
no modelo 1972 aparecia o cupê, de elegante perfil fastback, sem
coluna central
nem moldura nas portas.
Os especiais
Além dos estudos de estilo de 1974, mencionados
na próxima
página, o Opala teve diversas outras transformações realizadas por
empresas independentes.

A primeira foi apresentada em 1971: o Opala Envemo (abaixo), com apelo esportivo,
graças a acessórios da Engenharia de Veículos e Motores Ltda., conhecido fabricante
de veículos especiais nas décadas de 70 e 80. Entre os itens estavam nova grade
dianteira, spoiler, alargadores de pára-lamas e as
rodas esportivas da versão SS.
Dez anos depois, a Dipave, concessionária GM de Curitiba, PR, lançava o Summer,
um Opala conversível e personalizado com pára-choques de plástico.
Um segmento que ganharia diversas opções nos anos 80 era o de Opalas alongados,
uma alternativa a executivos saudosos pelo Ford
Landau, que havia saído de produção em 1983. As empresas de veículos especiais
Avallone (construtora de uma réplica do MG
inglês com motor de Chevette), Sulam e a própria Envemo elaboraram limusines
a partir do sedã.
A maior distância entre eixos era visível em uma seção fixa entre as portas
dianteiras e traseiras, que mantinham o tamanho original. O alongamento, porém,
variava muito:
cerca
de 30 cm no da Envemo, 50 cm no da Sulam (fotos abaixo)
e de um metro no da Avallone.
Outra concessionária GM, a Guaporé de São Paulo,
foi mais criativa: lançou em 1984 uma Caravan de cinco portas, associando
as quatro portas do Opala à carroceria da perua. Era certamente uma boa
proposta, já que essa configuração em um modelo derivado de automóvel
havia desaparecido duas décadas antes, com o fim da Simca
Jangada. Curioso é que a versão existia desde 1966 na Rekord Caravan
alemã,
mas nunca foi aprovada pela GM brasileira.
Naturalmente, Opalas e Caravans especiais também foram desenvolvidos para uso
das polícias e como ambulância. Curioso é que mesmo em 1992 saíram ambulâncias
Caravan com câmbio de três marchas e alavanca na coluna (há muito abandonado
na produção normal), feitas sob encomenda.
Estudos
de estilo No Salão do Automóvel de São Paulo
a GM
apresentava duas versões de estudo do Opala. A Las Vegas parecia uma antecipação
do Comodoro, que viria dois anos depois, por ter apenas a metade traseira da
capota e as colunas posteriores revestidas em vinil branco -- não todo o teto,
como já se usava no Gran Luxo. O mesmo padrão de acabamento era aplicado ao interior,
com detalhes em verde-claro, a cor da carroceria.

Uma
foto bem conhecida da publicidade do SS 1973, em que aparecem a
nova grade mais
simples e as luzes de direção nos extremos dos pára-lamas.
O outro estudo, identificado
pelo desenho de uma águia no capô, exibia rodas largas de magnésio, grade
exclusiva, faróis protegidos por telas, pára-choques em preto e interior
revestido de camurça marrom, incluindo as portas e o console central.
Houve
rumores na imprensa de que no mesmo salão a marca apresentaria o picape Opala,
espécie de versão brasileira do El
Camino, que teria sido o primeiro derivado de automóvel no Brasil. Uma unidade
chegou a ser fotografada dentro da fábrica, mas ele nunca se
concretizou.
Para 1974, as novidades eram a reformulação do motor de quatro cilindros e
a
oferta de câmbio automático de três marchas, ainda com alavanca na coluna de
direção, inclusive para esse motor. O de 153 pol3 (2.509 cm3, 98,4 x 82,5 mm ) dava lugar ao
de 151 pol3 (2.471 cm3), com maior diâmetro dos cilindros ( 101,6 mm ) e menor curso
dos pistões ( 76,2 mm ).
Isso facilitava obter uma relação
r/l mais favorável, que se somava ao volante de motor de massa bem maior
para ganho em suavidade.
O
teto revestido em vinil conferir um ar sofisticado ao Gran Luxo
de 1973; mais
tarde seria adotado o padrão "Las Vegas", em que a metade dianteira
permanecia em chapa.
Curiosamente, eram os mesmos
diâmetro e curso do motor V8 do Maverick, justamente de 302 pol3 (4.942
cm3): era um
“meio Maverick”, como alguns diziam na época. Desenvolvia 94 cv brutos, contra
80 cv do anterior, mas o torque (também bruto) permanecia em 18 m .kgf.
Havia também aprimoramentos na suspensão dianteira, o Especial recebia o mesmo
painel do Luxo e o GL perdia o nome Opala, passando a ser apenas Chevrolet
Gran
Luxo -- um prenúncio do que ocorreria mais tarde com o Comodoro e o Diplomata.
A versão SS passava a ter opção do motor 151-S de quatro cilindros, dotado de
carburador de corpo duplo e coletor de admissão de alumínio (em vez de ferro
fundido), que produzia 98 cv brutos. Era um modo de aliar sua aparência esportiva
ao menor consumo, bem-vindo naquele período de gasolina cara.

Depois de muitos retoques, uma modificação de estilo mais ampla em 1975,
com
a adoção de molduras nos faróis e quatro lanternas
traseiras circulares.
A
primeira reestilização A linha 1975 marcava
uma fase importante para o Opala: a linha crescia, com a perua Caravan
e a versão de
luxo Comodoro, e vinha a primeira reestilização do carro. Planejada desde 1969,
mas sucessivamente adiada porque a GM teve de concentrar esforços no Chevette,
a Caravan era igual à versão alemã do Rekord, mas com apenas três portas. Oferecia
os conhecidos motores de 2,5 e 4,1 litros , um grande
porta-malas e servo-freio de série.
A reformulação estética
em toda a linha afetava apenas a frente e a traseira, como todas as que
lhe seriam
impostas até o final. O capô passava a abrir para a frente por razão de
segurança, pois no evento de uma abertura involuntária em movimento a força do
ar o manteria fechado. Os faróis circulares traziam as luzes de direção ao lado
e a grade tinha quatro motivos retangulares. Atrás, em vez das pequenas lanternas
retangulares, havia quatro redondas, as internas com a luz de ré integrada. A
mudança tinha o mérito de não gerar dissonância com a seção central remanescente,
o que nunca mais se repetiria.
A
Caravan demorou tanto que chegou já com o novo estilo, trazendo
os dois
conhecidos motores e amplo espaço para a bagagem da família.
O Comodoro, por sua vez, diferenciava-se
pelo acabamento superior, com
teto revestido em vinil, apliques de jacarandá no painel, rádio e relógio, além
da oferta de direção assistida e pneus mais largos (diagonais 7,35-14 em vez
de 6,95-14). A versão de entrada voltada a ser apenas Opala, não mais Especial,
enquanto o SS recebia bancos individuais com encosto ajustável e
apoio de cabeça.
Já o SS-6 perdia identidade
pelo revestimento interno mais simples e a eliminação de alguns itens,
como o
relógio. O motor de 4,1
litros de toda a linha ganhava 8 cv (agora 148 cv brutos),
com um carburador de corpo
duplo, e passava a ter sistema de arrefecimento selado.
A
perua Opala logo conquistou admiradores por seu conforto, bom desempenho
e tração traseira, mas seria bem mais conveniente se viesse com
cinco portas.
a
suspensão dianteira, uma importante modificação era aportada, sem alarde.
Uma nova manga de eixo, mais robusta, acabava com um problema que se
manifestava sobretudo em corridas: a flexão da ponta de eixo em relação à manga
nas curvas, que resultava no afastamento das pastilhas do disco. Os pilotos
precisavam acionar levemente o freio nas retas para encostar as pastilhas
no disco -- era comum ver-se Opala acendendo luzes de freio em plena
reta.
Na linha 1976 era adotada taxa de compressão ligeiramente mais alta nos motores
(de 7:1 para 7,5:1) e o 151-S passava a ser disponível em toda a linha, não
mais restrito ao SS-4. O acabamento interno era monocromático, preto ou marrom,
e havia opção de bancos individuais reclináveis, com ou sem encosto alto. No
Comodoro cupê aparecia o teto "tipo Las Vegas", com a parte posterior
revestida em vinil, e o câmbio automático com alavanca no console.

Bancos
reclináveis de encosto alto, acabamento monocromático, câmbio automático
no
console: novidades da linha 1976.
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Nas telas
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No
filme Prova de Vida, com Meg Ryan e Russell Crowe, um
Opala aparece no início, filmado em Quito, no Equador.
Sua "atuação" termina com uma explosão, para
desespero dos fãs. No recente Carandiru, toca-se fogo
em outro para assaltar um carro-forte. A mesma triste
atuação do Opala é quase semanal no programa Linha Direta
da TV Globo.
Em 1976 era lançado o livro Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia,
por José Louzeiro. Conta a vida do bandido que se tornou famoso
no Brasil inteiro. Num depoimento, pouco antes de morrer, o
protagonista cita sua preferência pelo Opala, carro com boa
aceleração e veloz, ideal para as fugas. Já em 1977 o livro
virava filme, dirigido por Hector Babenco, tendo como ator
principal Reginaldo Farias. Em 1988 era lançado em VHS.
Na novela A Próxima Vítima (TV Globo, 1995), um Comodoro 1980
cupê, preto,
|
era
o carro do assassino (na versão original, Adalberto,
e na reprise, Ulisses), destruído em um dos últimos
capítulos. A partir do número do chassi do Opala o
detetive Olavo descobre o assassino.
Em Mulheres de Areia, também da Globo, a personagem Raquel
dirige uma Caravan quando é interceptada por um Monza de um
desafeto na trama. No final ela é jogada (a emissora usou um
modelo mais velho do carro) em um despenhadeiro, morrendo em
uma grande explosão.
O Opala também aparece em
Pátria Minha : o Comodoro de Raul tem o sistema
de freio sabotado e sofre um acidente. Percebe-se que outro
carro é usado nessa cena, pois enquanto o "original" possuía
as rodas de série, o acidentado tinha calotas.
A
novela Marissol, do SBT, no ano passado alocou uma
boa frota do Clube do Opala de São Paulo: uma Caravan
SS 1980, um Diplomata 1983 e outro 1990. Numa tarde
de filmagem, Silvio Santos parou ao lado dos carros
e ficou se lembrando de diversas passagens com o Opala.
Acredite se quiser.
|
|
Por
Ricardo Dias Sacco, Francis Castaings e Thiago Mariz;
colaborou Danilo de A. Rodrigues
|
|
O
lendário 250-S Um motor bem mais esportivo,
o 250-S, era
lançado ainda em 1976. Tratava-se do conhecido 4,1-litros que surgira dois anos
antes como versão opcional para fins esportivos (veja
boxe). Utilizava tuchos de válvulas mecânicos em vez de hidráulicos (por
apenas um ano), o que permitia mais altas rotações; taxa de compressão de 8,5:1,
exigindo gasolina azul (B) de maior octanagem; comando de válvulas de maiores
duração e levantamento; e carburador de corpo duplo, DFV ou Solex-Brosol, no
lugar do simples.
Diante
da concorrência do Maverick GT, o Opala SS ganhava novo ímpeto
com o motor 250-S, um seis-cilindros mais esportivo, com 153 cv
líquidos (171 brutos).
A potência passava de 140
para
171 cv brutos (de 115 para 153 cv líquidos): o suficiente para acelerar de 0 a 100 km/h em 10 segundos
e alcançar máxima de quase 200
km/h . Enquanto isso, o SS trazia novas rodas de aço, de 6 pol de tala, e faróis de
neblina. O 250-S equiparia até mesmo a perua esportiva Caravan SS, introduzida
em 1978.
Até então o Opala utilizava câmbio de quatro marchas com a última direta, assim
como a terceira do antigo três-marchas, o que não representava redução no consumo
e no nível de ruído em
estrada. Em 1977, porém, era lançado o câmbio com sobremarcha,
em que a terceira era
direta e a quarta tinha relação 0,86, ou seja, 14% mais longa (leia
abaixo). O efeito, como se espera, era um carro mais silencioso e econômico
em velocidades de viagem.
O
Comodoro havia assumido o topo da linha em 1975, eliminando o Gran
Luxo, e em
1978 passava a oferecer interior na cor vinho.
A vantagem, porém, era
mais
perceptível na versão de seis cilindros, em que a quarta longa podia ser mantida
com facilidade em função do torque elevado. No quatro-cilindros, por outro lado,
havia situações em que reduzir de quarta para terceira não trazia a resposta
necessária, exigindo redução para segunda marcha, desnecessária
no câmbio normal. Talvez por isso a solução de sobremarcha não tenha agradado,
nem sido oferecida por muito tempo.
No mesmo ano aparecia uma série especial para Opala e Chevette, com rodas esportivas
e vacuômetro no painel, que tencionava levar o motorista a dirigir com economia.
Ao completar 500 mil unidades produzidas, em 1978, o Comodoro (que desde o
ano anterior podia ter também o motor de quatro cilindros) passava a oferecer
interior monocromático vinho em opção ao preto e ao marrom. Essa
versão era lançada também para a Caravan, com acabamento luxuoso, console com
relógio, faróis de neblina e conta-giros.

A
Caravan também ganhava a versão Comodoro, com acabamento requintado
e quatro
faróis auxiliares.
|
O câmbio Ômega
|
|
Como
relação final longa contribui decisivamente para consumir
menos, a GM passou a oferecer um câmbio opcional para
o Opala, em 1977, em que a relação de quarta (e última)
marcha era 0,86. Como ter feito isso foi uma solução
de gênio, já que a quarta era de engate direto, sem
atuação de engrenagens, e não se pretendia reprojetar
o câmbio inteiro.
Bastou encomendar ao fornecedor o câmbio de quatro marchas
com a segunda do três-marchas, 1,68:1 no lugar de 2,02, e a
terceira 0,86, em vez de 1,39. Como o comando de câmbio ainda
era externo, por hastes desde a parte inferior da alavanca,
bastou inverter
|
o
braço correspondente à terceira e à quarta, junto à caixa
(em vez de ficar para cima, ficou para baixo). Com
isso, quando se passava a terceira, na realidade estava-se
engatando a quarta (1:1) dentro da caixa. E quando
a alavanca vinha para trás, para a quarta, era a terceira
(0,86) que passava a atuar.
Essa foi a maneira simples da GM oferecer um câmbio “3+E” numa
caixa de última marcha direta. Em lugar do quatro-marchas normal,
de relações 3,07, 2,02, 1,39 e 1,00, tinha-se um de 3,07, 1,68,
1,00 e 0,86. Esse era o genial câmbio Ômega.
Bob
Sharp
|
|
A linha 1979 trazia carburador
de corpo duplo em dois estágios, tanque de combustível de maior capacidade
( 65 litros , 10 a mais) e freio de estacionamento
com alavanca entre os bancos. Era apresentada
também a versão de topo Diplomata, com revestimento interno aveludado, console
em vinil, ar-condicionado, rodas de alumínio e acabamento prateado na grade e
faróis. Embora constasse até do manual do proprietário, não chegou a ser comercializada
nesse ano-modelo. O SS trazia retrovisores esportivos em ambos os
lados.
"Leve
tudo na esportiva", dizia a bem-bolada publicidade da Caravan
SS, decorada com faixas pretas e oferecendo o desempenho do motor
250-S.
Mais
uma reestilização Para 1980, nova reestilização,
em
que o capô e o porta-malas adotavam as formas retilíneas tão em voga na época.
Vinha com faróis e lanternas traseiras retangulares (estas trapezoidais na Caravan),
luzes de direção envolventes e pára-choques mais espessos com uma faixa central
em preto -- no SS eram pintados na cor da carroceria em vez de cromados. Na traseira,
a placa ocultava o bocal do tanque de combustível, que era abaixada para o abastecimento.
A nova aparência, contudo, destoava das curvas do restante da carroceria, inconveniente
que nunca seria sanado.
Atendendo ao clamor do mercado e do bom-senso, a GM finalmente adotava pneus
radiais (em medida 175/80-14 ou 195/70-14, de acordo com a versão), que só Opala,
Fusca e Brasília ainda não possuíam entre os carros nacionais. Para evitar
que sua banda de rodagem mais rígida prejudicasse o conforto, a suspensão ganhava
novas calibragem de molas, amortecedores e buchas silenciosas, além de estabilizador
mais grosso e opção de rodas de 6 pol de tala, de série no
SS e no Diplomata.
O
modelo 1980 parecia outro carro de frente ou de traseira, adotando
as linhas
retas então em voga, mas a seção central permanecia inalterada.
Outra novidade para 1980
era o
motor de quatro cilindros a álcool, com 8 cv a mais (98 cv brutos) e maior torque
(20,1 contra 18 m .kgf)
que o movido a gasolina. O Diplomata permanecia o topo da linha, com ar-condicionado
(ainda não integrado ao painel), rádio/toca-fitas, antena elétrica, rodas de
alumínio e direção assistida de série. Eram opcionais
o teto revestido em vinil, pneus radiais, câmbio automático e o
motor 250-S.
O motor 250-S, atendendo a pedidos
Quando
as corridas de longa duração reiniciaram-se em 1973, por iniciativa do
piloto
e construtor Antônio Carlos Avallone (falecido no ano passado), o Opala encontrou
um grande concorrente, o Ford Maverick V8, de cilindrada quase um litro maior.
Coube a mim e a Jan Balder, com quem fazia pouco havia chegado em segundo na
25 Horas de Interlagos, em agosto, num Opala, pressionar a GM para que dispusesse
de um motor mais potente.
Por coincidência, o gerente de desenvolvimento de motores Roberto B. Beccardi
vinha trabalhando nisso por iniciativa própria, mas faltava um impulso para
que
conseguisse aprovação. Esse impulso veio justamente dos dois pilotos.
Assim, em julho do ano seguinte a GM passava a oferecer o motor 250-S como
variante opcional para o Opala 4100 (veja fac-símile da carta). Era um
pouco
diferente da versão que seria lançada dois anos depois: o volante do motor era
do quatro-cilindros, não vinha com o amortecedor de vibração na outra extremidade
do virabrequim e o ventilador era do 2,5-litros, de quatro pás em
vez de seis.
O Opala agora era muito mais rápido que o Maverick e a Ford não perdeu tempo.
Tratou de homologar uma versão que recebeu o nome de Quadrijet. Nas pistas,
o
fator determinante de vitória ficou por conta de nível de pilotagem e organização
de pista apenas. Os rivais andavam iguais.
Bob
Sharp
Talvez para convencer o
dono de
um Opala do ano a trocar seu "novo-velho" carro por um zero-quilômetro,
a reformulação interna só veio no modelo 1981. Surgia o novo painel, também
retilíneo e bem mais moderno, todo em plástico e com os instrumentos em três
círculos. No da direita vinha o conta-giros no Diplomata e no SS ou o relógio
no Comodoro, sendo desocupado no Opala básico. O Diplomata trazia ainda voltímetro
e vacuômetro no console.
O
Diplomata, lançado na linha 1979, acompanhava a renovação e ganhava
conforto,
com ar-condicionado e toca-fitas com antena elétrica de série.
Caravan
oferecia limpador do vidro traseiro, opcional, e toda a linha ganhava
válvula limitadora de pressão nos freios traseiros, que diminuía
a tendência a travar as rodas em frenagens bruscas. Deixava de existir o SS.
A
série especial Silver Star, de acabamento simples e oferecida em azul e verde
metálicos, chegava em 1982, mesmo ano em que o Diplomata ganhava pára-brisa laminado
com faixa degradê, volante acolchoado e vidros verdes.
Os motores a álcool passavam a usar ignição eletrônica e tanque maior, para 84 litros , garantindo
boa autonomia ao tempo da absurda -- e exclusivamente brasileira -- medida
de fechar os postos nos fins-de-semana e de 20h a 6h nos dias úteis. O tanque
passava a “invadir” o porta-malas, reduzindo-lhe um pouco a capacidade. Na
linha 1983 vinha o câmbio de cinco marchas para motor 2,5-litros, com quarta
1:1 e quinta multiplicada, de modo a reduzir o consumo em estrada. Nesse câmbio
a alavanca ficava num prolongamento da caixa para trás, com ganho de
precisão.
O
Diplomata 1985: molduras laterais largas, faróis auxiliares integrados
ao
conjunto ótico e ampla reforma no interior, com a adoção de itens há muito
esperados.
Outras
reformas Na linha 1985, novas modificações
estéticas -- desta vez mais sutis -- e de acabamento eram introduzidas.
Os pára-choques
ganhavam ponteiras plásticas, as lanternas traseiras traziam a seção das luzes
de direção em tom âmbar (conforme determinação do Contran) e havia novos retrovisores,
maçanetas embutidas (em vez das arcaicas salientes e cromadas, as mesmas desde
1968), rodas e calotas.
No Diplomata eram adotadas largas molduras laterais e faróis auxiliares de
longo alcance integrados ao conjunto ótico, enquanto as colunas traseiras do
sedã simulavam saídas de ar. Essa versão oferecia a combinação de duas cores
metálicas, divididas à altura da linha de cintura, pouco abaixo dos
vidros.
Para 1986
a Caravan enfim assumia o acabamento Diplomata,
que incluía bagageiro e a opção
de pintura em dois tons.
Por dentro, os instrumentos
recebiam novo grafismo, com formato retilíneo, e os bancos tinham encostos
de
cabeça separados. Eram também oferecidos controles elétricos de vidros, travas
(acopladas às maçanetas, solução bem superior aos velhos pinos, que a GM voltaria
a usar na década seguinte) e retrovisores, cuja ausência era muito lamentada
no caso do Diplomata. Mas a posição dos comandos, no console, não
era das melhores.
Em agosto daquele ano a
Caravan
ganhava enfim sua versão Diplomata, com os requintes do sedã e duas novas
conveniências -- bagageiro de teto e cobertura divisória no compartimento de
bagagem. Era uma resposta à Quantum da
Volkswagen, lançada quase ao mesmo tempo, mas faltava à perua da GM a
configuração de cinco portas.
|
Os recordes
|
|
Em julho
de 1970, na Rodovia Castelo Branco, em
São Paulo , o piloto Bird Clemente,
a bordo de um Opala quatro-portas, bateu o recorde
brasileiro de velocidade. Seguindo o regulamento da
FIA, cravou 232,510 km/h .
O bloco do motor, o virabrequim, os pistões e as bielas eram
originais, mas a taxa de compressão era mais elevada e o cabeçote
|
trabalhado
com válvulas maiores. Tinha três carburadores Weber
duplos e coletores especiais.
Vinte e um anos depois, o piloto Fábio Sotto Mayor estabelecia
um novo recorde de velocidade, ao atingir 303,157 km/h com
um Opala duas-portas em um trecho da Rodovia Rio-Santos. Curioso é que
o capô não resistiu à pressão do ar admitido pela grade e...
saiu voando.
|
|
O crescimento do Monza no
mercado -- foi líder absoluto de vendas entre 1984 e 1986 -- e o lançamento
de concorrentes mais modernos, como o Santana, evidenciavam o envelhecimento
do
Opala e exigiam reformas cada vez mais freqüentes. Já no modelo 1988 apareciam
novas modificações na frente, traseira e interior.
Novos
retoques frontais vinham em 1988: agora o Opala lembrava o Monza
no formato dos
faróis e da grade; o Diplomata tinha uma cobertura que simulava lanternas de
um
lado a outro da traseira.
Toda a linha
trazia faróis trapezoidais (as unidades de longo alcance eram funcionais
apenas no Diplomata) e lanternas traseiras tomando toda a largura do
veículo, embora a
seção central, onde antes ficava a placa de licença, viesse em preto nas duas
versões inferiores. Como na mudança de 1985, não fora necessário modificar os
painéis metálicos da carroceria, a não ser a pequena seção à frente do
capô, que agora avançava um pouco sobre a grade, à inspiração do Monza.
As versões eram renomeadas Opala ou Caravan SL (desde o ano-modelo anterior),
Comodoro SL/E e Diplomata SE. Havia ainda o Opala L, restrito a frotas de pessoas
jurídicas e governamentais. No interior, as novidades de sempre -- novos volantes
e grafismo dos instrumentos, agora com iluminação indireta -- e alguns recursos
então raros no mercado nacional: ajuste de altura da coluna de
direção em sete posições, saídas de ar-condicionado para o banco traseiro, alarme
sonoro para faróis ligados e temporizadores dos
faróis, da luz interna e do controle elétrico dos vidros. Quase tudo vinha de
série no Diplomata SE.
No
interior da versão de topo, volante regulável, uma série de temporizadores
e
o moderno câmbio automático de quatro marchas, com comando eletrônico.
Meses depois era oferecido
para
o motor de seis cilindros um novo câmbio automático da ZF alemã, similar ao usado
na época por BMW e Jaguar, com quatro marchas e bloqueio do conversor de torque.
Não foi o primeiro do Brasil com a quarta velocidade, mas sim com sobremarcha,
pois no pioneiro Dodge
Polara de 1979 a quarta
era direta (relação 1:1), não consistindo redução de rotação em
estrada em relação a um câmbio de três marchas.
Junto do câmbio, outras alterações mecânicas. O cardã passava a ser bipartido,
para reduzir as vibrações; os amortecedores eram pressurizados;
o estabilizador dianteiro ficava mais grosso, para conter a inclinação da carroceria
nas curvas; as buchas da suspensão eram revistas. E na linha 1989 saía de linha
a versão cupê, confirmando a tendência dos brasileiros de passar a preferir
os quatro-portas.
|
Os fora-de-série
|
|
Um
dos mais potentes do mercado nacional por toda sua
produção, o motor de seis cilindros do Opala foi o
escolhido por diversos pequenos fabricantes -- dos
chamados carros fora-de-série -- para impulsionar modelos
de luxo ou esportivos. Dois são famosos: o GTB da Puma (mais
tarde relançado como AMV) e o SM 4.1 da Santa
Matilde. Mas não foram os únicos.
A empresa Bola, do Rio de Janeiro, produziu desde 1981 uma
réplica do Jaguar
XK 120 de 1948, o Fera XK, com o consagrado seis-cilindros.
Três anos depois a LHM lançou o Phoenix (foto), uma réplica
do Mercedes
280 SL dos anos 60, série Pagode, com o motor GM de 4,1 litros .
Um ano após surgia o Lince, um conversível de linhas clássicas
baseado na plataforma (encurtada) e
na mecânica do opala semelhante à do Lassale, do final da década.
|
A
mecânica Opala também chegou ao fora-de-estrada: a
Engesa, fábrica de veículos militares em
São José dos Campos, SP, lançou em 1985 a versão civil de
seu jipe, o E-4, com o motor GM de 2,5 litros . O veterano
quatro-cilindros prestava-se bem à função, por seu
bom torque em baixa rotação.
|
|
Um ano depois eram adotadas
lanternas traseiras com seção fumê, no Diplomata somente, e tanque de
combustível
em material plástico, com capacidade ampliada de 84 para 91 litros e menor intrusão
no espaço de bagagem, que assim era aumentado. Os rumores de que o velho Opala
logo seria aposentado tornavam-se freqüentes e, em uma
pesquisa de opinião, a GM avaliava a aceitação do Omega e do Senator,
modelos recém-lançados (1986 e 1987, na ordem) da Opel alemã.

A
Caravan Diplomata 1990: lanternas fumê e um motor de 4,1 litros mais eficiente.
Uma otimização de funcionamento
do motor de 4,1
litros chegava em agosto de 1990: taxa de compressão
de 8:1 em vez de 7,5:1, pistões
mais leves e com anéis mais estreitos, bielas mais longas (as mesmas do motor
2,5, melhorando a relação
r/l, agora 0,29), carburador Brosol 3E (similar ao do Monza), novo coletor
de admissão. A potência passava de 135 cv para 141 cv (líquidos), no motor a álcool,
e de 118 cv para 121 cv, a gasolina, com reduções em consumo (em 18% de acordo
com a fábrica) e emissões poluentes.
Retoques de despedida Pouco depois, no modelo 1991, o Opala recebia
sua última alteração de estilo: pára-choques envolventes em plástico polipropileno,
nova grade dianteira, rodas de aro 15 pol com pneus 195/65 no
caso do Diplomata. As portas dianteiras perdiam o quebra-vento e havia novos
retrovisores, mas não na Caravan. O interior trazia novo desenho no volante,
de ótima empunhadura, e nos painéis de porta, além
de revestimento pré-moldado do teto.
As últimas novidades: pára-choques de plástico, portas
sem quebra-vento, retrovisores mais modernos, direção eletrônica.
Na parte mecânica, era
o único
carro nacional com freios a disco nas quatro rodas (o Alfa
Romeo 2300, que os introduziu em 1974, havia sido descontinuado em 1986)
e
direção assistida Servotronic,
de controle eletrônico, que nunca mais seria usada em automóveis brasileiros
(apenas nos picapes D20 e
Silverado). A bateria passava a ser selada, isenta de manutenção, mas o ventilador
do radiador voltava a ter acionamento mecânico, a correia. No final desse ano
a linha recebia catalisador, para atender à fase 2 do Proconve.
Ao mesmo tempo em que completava um milhão de unidades produzidas, o Opala
despedia-se do mercado: em 16 de abril de 1992 o último deles saía da linha
de
produção de São Caetano do Sul, SP. Para marcar o encerramento foi lançada a
série especial Diplomata Collector (colecionador), de estimadas 150 a 200 unidades, que vinha
acompanhada de um certificado, uma fita de vídeo com a cronologia do Opala, desde
o projeto inicial, e chaves banhadas a ouro. No lugar dos logotipos Diplomata,
na traseira e no volante, vinha Collector.
Série
final: o Diplomata Collector, que vinha com certificado e fita
de vídeo com sua
história.
Poucos carros deixaram
tantas
saudades nos brasileiros como o Opala. Após sua descontinuação, fãs passavam
buzinando e protestando diante da portaria principal da General Motors na avenida
Goiás, em São Caetano do
Sul, SP. Nas cinco edições da Eleição dos Melhores Carros do BCWS ele venceu
na categoria Carros Fora de Linha. Seu carisma não é igualado nem mesmo por seu
sucessor, o também marcante Omega.
O Opala se foi, mas estará sempre no coração de uma legião de aficionados.
Ficha técnica
|
|
|
Opala
2,5
(1969)
|
Comodoro
2,5
(1977)
|
Opala
Luxo 3,8
(1969)
|
|
MOTOR
|
|
Posição e cilindros
|
longitudinal,
4 em linha
|
longitudinal,
6 em linha
|
|
Comando e válv. por cilindro
|
no
bloco, 2
|
|
Diâmetro e curso
|
98,4
x 82,5 mm
|
101,5
x 76,2 mm
|
98,4
x 82,5 mm
|
|
Cilindrada
|
2.509
cm3
|
2.471
cm3
|
3.764
cm3
|
|
Taxa de compressão
|
7:1
|
7,5:1
|
7:1
|
|
Potência máxima
|
80
cv a
3.800 rpm*
|
98
cv a
4.800 rpm*
|
125
cv a
4.000 rpm*
|
|
Torque máximo
|
18 m .kgf
a
2.600 rpm*
|
19,8
m .kgf
a
2.800 rpm*
|
26,2
m .kgf
a
2.400 rpm*
|
|
Alimentação
|
Carburador
de corpo simples (duplo no 1977)
|
|
CÂMBIO
|
|
Marchas e tração
|
3,
traseira
|
4,
traseira
|
3,
traseira
|
|
FREIOS
|
|
Dianteiros
|
a
tambor
|
a
disco
|
a
tambor
|
|
Traseiros
|
a
tambor
|
|
SUSPENSÃO
|
|
Dianteira
|
independente,
braços sobrepostos
|
|
Traseira
|
eixo
rígido
|
|
RODAS
|
|
Pneus
|
5,90
- 14
|
175
S 14
|
5,90
- 14
|
|
DIMENSÕES
|
|
Comprimento
|
4,575
m
|
4,702
m
|
4,575
m
|
|
Entreeixos
|
2,668
m
|
|
Peso
|
1.100
kg
|
1.160
kg
|
1.125
kg
|
|
DESEMPENHO
|
|
Velocidade máxima
|
145
km/h
|
155
km/h
|
165
km/h
|
|
Aceleração de 0 a 100 km/h
|
18
s
|
17
s
|
13
s
|
|
Dados de desempenho aproximados; * valores
brutos e não líquidos
|
|
|
|
Opala
SS 4,1
cupê (1971)
|
Diplomata
4,1
álcool (1985)
|
Diplomata
4,1
(1991)
|
|
MOTOR
|
|
Posição e cilindros
|
longitudinal,
6 em linha
|
|
Comando e válv. por cilindro
|
no
bloco, 2
|
|
Diâmetro e curso
|
98,4
x 89,7 mm
|
|
Cilindrada
|
4.097
cm3
|
|
Taxa de compressão
|
7:1
|
10:1
|
8:1
|
|
Potência máxima
|
140
cv a
4.000 rpm*
|
134,4
cv a
4.000 rpm
|
121
cv a
3.800 rpm
|
|
Torque máximo
|
29 m .kgf
a
2.400 rpm*
|
30,1
m .kgf
a
2.000 rpm
|
29 m .kgf
a
2.000 rpm
|
|
Alimentação
|
Carburador
de corpo duplo
|
|
CÂMBIO
|
|
Marchas e tração
|
4,
traseira
|
|
FREIOS
|
|
Dianteiros e traseiros
|
a
disco
|
a
disco ventilado
|
|
Traseiros
|
a
tambor
|
a
disco
|
|
SUSPENSÃO
|
|
Dianteira
|
independente,
braços sobrepostos
|
|
Traseira
|
eixo
rígido
|
|
RODAS
|
|
Pneus
|
7,35
S 14
|
195/70
R 14 S
|
195/65
R 15 H
|
|
DIMENSÕES
|
|
Comprimento
|
4,575
m
|
4,78
m
|
|
Entreeixos
|
2,668
m
|
|
Peso
|
1.150
kg
|
1.220
kg
|
1.360
kg
|
|
DESEMPENHO
|
|
Velocidade máxima
|
170
km/h
|
175
km/h
|
170
km/h
|
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Aceleração de 0 a 100 km/h
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12
s
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Dados de desempenho aproximados; * valores
brutos e não líquidos
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Bibliografia
http://www.uol.com.br/bestcars/ -
Acessado em 21/05/2003.
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