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| Apaixonados pelo Fordinho. |
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Com trinta anos de existência, o Clube do
Fordinho mostra vitalidade e muita paixão pelo modelo fabricado
por Henry Ford. |
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Um médico, dois publicitários, uma
professora, uma dona-de-casa, um jornalista e um comerciante. O
que eles poderiam ter em comum no início da década
de 70? Eram tempos difíceis, os chamado "anos de chumbo".
Ditadura, falta de liberdade política, torturas, desaparecidos,
o então tenebroso AI5 (Ato Institucional nº5) havia
sido promulgado três anos antes, que entre outras coisas,
fechou o Congresso e suspendeu os direitos políticos de
quem era contra o regime militar, enfim, o país passava
por um dos piores momentos de sua história. |
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| Muitos se dedicaram à luta contra os militares.
Hoje, sabemos que milhares, de pessoas pagaram com a vida por esta
sede de democracia. Mas voltando à questão colocada
acima, o que moveu estas sete pessoas, sete profissionais de diferentes áreas
a se reunirem? Talvez quisessem liberdade. Talvez. Eles não
participaram de nenhuma passeata, não pegaram em armas,
não fizeram parte de nenhum grupo subversivo - como eram
chamados os que lutavam contra o governo militar -, eles apenas
se reuniram para se sentirem livres em torno de uma paixão
comum, o Fordinho "Modelo A". Foi assim que estas pessoas
encontraram uma maneira de sentir um pouco de liberdade. |
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No dia 18 de abril de 1971, o Clube do Fordinho,
inteiramente dedicado à preservação do modelo
conhecido no Brasil como Fordinho 29, foi fundado. No início,
eles se reuniam no bairro de Santana, Zona Norte da capital paulista.
De lá pra cá, muita coisa mudou. O país se
livrou dos militares e vive em regime democrático desde
1985. O Clube passou por outras três locais e hoje conta
com sede própria situada no Ipiranga, ao lado do Museu e
por coincidência, no mesmo bairro onde foi construída
a primeira fábrica da Ford no Brasil. Mas os ideais cravados
por seus sete fundadores continuam vivos. |
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Passados quase 31 anos a paixão pelo "carrinho" só aumentou.
Hoje são 250 sócios ativos de toda parte do Brasil
que compartilham da mesmo sentimento. Segundo Mateus Polizel, presidente
da entidade, cerca de 95% destes sócios são proprietários
de pelo menos um Fordinho Modelo A. "Alguns possuem mais do
que um, eu mesmo tenho três modelos do Fordinho 29" confessa
Polizel. Ele acredita que exista no Brasil cerca de 1 200 Fordinhos
Modelo A em condições perfeitas de uso e outros 1
000 para serem restaurados. Engana-se quem pensa que para ser proprietário
de um exemplar do automóvel tenha de ser milionário. "É possível
encontrar um Fordinho em condições de uso por R$
5 000", conta Nélson Fidélis, comerciante e
sócio do Clube desde 1982. |
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O comerciante é proprietário de seis
Fordinho 29. Para ele, não existe nada mais simples, lógico
e perfeito do que a mecânica do Fordinho. Talvez seja por
isso que o modelo é tão adorado por estas pessoas.
Todas as noites de quartas-feiras, pelos menos uns 30 sócios
se reúnem na sede do Clube para conversar, trocar experiências
e principalmente planejar eventos para fazer o que eles mais gostam:
exibir suas crias. Pelo menos uma vez ao ano são organizadas
viagens com os Fordinhos. Os sócios já chegaram a
fazer o trajeto São Paulo - Brasília e São
Vicente - Porto Seguro a bordo de seus carros. Além dos
passeios anuais, eles se vestem com roupas dos anos 20 e desfilam
em seus Fordinhos no "Folia na Faria" e o "Corso",
uma festa que relembra o carnaval dos anos 30 no centro de São
Paulo. |
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| A entidade, que tem patrocínio da própria
Ford, mantém em sua sede uma casa de peças com a
colaboração dos sócios. "Alguns acessórios
não são mais encontradas por aqui, apenas nos Estados
Unidos. E sempre que um dos sócios vai para lá buscar
alguma coisa, pedimos que traga peças sobressalentes",
explica Polizel. |
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Como e por que o Fordinho sobreviveu a todos os
seus contemporâneos e à maioria dos carros fabricados
vinte ou trinta anos depois, ainda ninguém explicou. Talvez
a feliz engenharia do seu projeto despretensioso, talvez a simpatia
que inspira a donos e mecânicos. O que se pode afirmar é que
o Fordinho, que já era quase imortal, com a existência
do Clube do Fordinho terá sua sobrevivência garantida
por longos anos. |
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| A história do Fordinho
29 |
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O Ford Modelo A, assim chamado por Henry Ford, foi
construído no período de outubro de 1927 até abril
de 1932. Em cima da mesma plataforma foram desenvolvidas cerca
de 25 variações do modelo. Conversíveis, cupês,
sedãs e até caminhões eram fabricados sobre
o mesmo chassi. |
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O carro foi lançado no mercado em dezembro
de 1927, após um suspense mundial de seis meses. Todos aguardavam,
ansiosos, pelo substituto do Modelo T. A expectativa criada em
torno do veículo era tão grande que, no natal de
1927, formaram-se enormes filas diante das revendas, para vê-lo.
Muitas vitrinas foram quebradas pela multidão. Somente em
Nova York, um milhão de pessoas desfilaram pelos salões
onde se expunha o carro. O sucesso de vendas também foi
espantoso. Em poucas semanas, havia mais de 800 mil encomendas. |
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No Brasil, os Fordinhos vinham em sistema de CKD
e eram montados na moderníssima fábrica da rua Solon,
no Ipiranga. Com motor de 4 cilindros, 40 cv de potência
a 2 300 kgfm, câmbio de três marchas, embreagem monodisco
a seco, partida elétrica, freios nas quatro rodas e refrigeração
a água com bomba, o carrinho foi pioneiro no pais. De pneus
magrinhos e batida compassada dos pistões, tornou-se ferramenta
de desbravamento, transformando picadas em trilhas e estradas. |
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Alguns entraram para a história, como os
utilizados pelo Marechal Cândido Rondon, na conquista do
sertão e outro pertencente à Prefeitura de São
Paulo, até os dias de hoje, que serviu ao presidente Whashignton
Luís e carregou armas na revolução de 1932. |
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Por Alexandre de Freitas |
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