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Quem se der ao trabalho de um pequeno raciocínio
a respeito do reduzido universo dos veículos antigos no Brasil
encontrará várias explicações, embora a
linha básica que as una seja a de uma sólida e resistente
ignorância manifesta em diversas ocasiões. |
Começa com o despreparo dos mecânicos que não
conseguiam reparar os veículos mecanicamente mais elaborados,
condenando-os ao sacrifício do transplante de peças ou
a uma vida curta encerrada em ferros-velhos. Passa pelos usuários,
cuja cultura automobilística era absolutamente descompromissada
com marcas e origens. |
Saindo deste varejo chega à característica
nacional do desapego ao passado, aos referenciais do tempo. Se isto é uma
acomodação ou se é uma conseqüência
do pensamento de um povo sempre disposto a aplaudir a novidade do conquistador,
desmerecendo as marcas e sinais brasileiros, a dúvida será de
caráter acadêmico, entre a história e a sociologia. |
Mas o fato é que esta despreocupação
em conservar os marcos do passado é característica nacional
e não apenas omissão, despreparo ou inação
dos funcionários públicos que ocupam os setores encarregados
da preservação cultural. As razões são
profundas e passam pela ignorância dos contribuintes que não
cobram movimento de preservação, dos políticos
que não destinam verba à cultura, e posturas de governo
de quem nós, contribuintes e eleitores, não cobramos
ações corretas. |
Neste processo nefasto que forçou o desaparecimento
rápido dos veículos mais refinados e tecnologicamente
mais elaborados, fazendo sobreviver apenas os de simplicidade mecânica
e conseqüentemente de menor relevo como referência da história,
dos costumes e da tecnologia, há ainda um fator perverso, eticamente
muito mais condenável. É a falsa sabedoria, mais nefasta
que a ignorância, e é o que vem sendo praticada pelos
brasileiros que exportavam os veículos antigos. |
Digo exportavam porque houve um espaço de tempo em
que o país ficou sem uma legislação que impedisse
a saída de veículos antigos -- uma boa parte da coleção
de Roberto Lee, que era a pioneira e mais destacada, foi enviada ao
exterior, assim como outros veículos de relevo. |
Então o Ministério do Desenvolvimento, através
do Decex, vedou a expedição de documentos autorizativos,
enquanto estuda legislação que lhes impeça a saída.
Isto impedirá o saque aos bens culturais e permitirá que
tanto os veículos estrangeiros quanto os nacionais, que começam
a se tornar objeto de interesse histórico e cultural, fiquem no
Brasil. |
Se você quer ter os prazeres da propriedade de um veículo
antigo, e está aberto a conselho, compre um nacional. Escolha
um de boa referência, construção, solidez. |
Tente optar pelos veículos especiais. Lembre-se que
isto é um negócio, que deve ter valor e liquidez, permitindo
que o seu primeiro antigo possa ser a entrada para o segundo. |
Para seu convencimento, procure pelo que o mercado distingue
melhor, as versões mais desejadas e valorizadas. Assim, se você elegeu
um Interlagos, os Berlinetta tem melhor aceitação. Dos
Simca, Rallyes e Presidences puxam a fila. De Aeros, opte pelo Itamaraty.
Em Vemags, os Fissores. Claro que nada desmerece um Interlagos conversível,
ou o Aero em si, os sólidos DKW Belcar ou Vemaguet. Você sabe,
há o exemplo dado pela Constituição -- todos são
iguais perante a lei --, mas você conhece alguns que são
mais iguais que os outros... |
Se a sua opção é mais moderna, a segunda
geração da indústria automobilística brasileira
trouxe produtos mais atualizados -- Galaxie, Dodge, Volkswagen, Corcel,
Opala -- e capazes de restauração e utilização
mais fácil. |
Será caso grave, duradouro, terminal. |
Conselho final. Certos exemplares exigem a cautela de saber
se você acha os componentes de reposição no momento
da compra do carro. Quebrou, acabou -- como os primeiros nacionais com
injeção eletrônica e a caixa de marchas automática
do Del Rey. Escolha o carro, localize os reparos, compre-os em duplicata,
e depois compre o automóvel. |
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